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Explore cinco tendências da construção em madeira que estão a influenciar a forma como os edifícios são projetados, calculados, fabricados e executados — dos sistemas híbridos, à produção fora do local até aos fluxos de trabalho digitais.

5 tendências da construção em madeira que estão a transformar o setor

A madeira está a despertar mais interesse do que nunca. Novos projetos, novas regulamentações e metas de sustentabilidade cada vez mais ambiciosas estão a colocar a madeira de engenharia no centro das atenções em todo o setor da construção.

No entanto, as maiores mudanças não acontecem porque a madeira está a substituir outros materiais. Acontecem porque está a transformar a forma como os projetos são concebidos, coordenados, fabricados e executados. Esta evolução está intimamente ligada a prioridades mais amplas do setor, como a construção de baixo carbono, o fabrico fora do local, os sistemas estruturais híbridos, a tomada de decisões em fases mais precoces dos projetos e uma melhor utilização da informação digital.

Para muitas organizações, a madeira deixou de ser apenas um material de construção e passou a representar uma transição para uma construção mais industrializada, com maior previsibilidade e uma execução de projetos mais integrada.

Compreender estas tendências ajuda a perceber por que razão a madeira está a assumir um papel cada vez mais relevante numa transformação mais ampla do setor da construção. 

 

1. Os produtos de madeira de engenharia estão a ampliar as possibilidades da construção em madeira

 

A madeira tradicional sempre teve um lugar de destaque na construção. O que mudou foi o papel dos produtos de madeira de engenharia.

O CLT, a madeira lamelada colada (glulam) e o LVL estão a alargar as possibilidades de utilização da madeira em projetos de maior dimensão, mais complexos e com requisitos de desempenho cada vez mais exigentes.

O CLT é frequentemente utilizado em elementos de grandes dimensões, como paredes, pavimentos e coberturas. A sua estrutura de lamelas cruzadas confere aos painéis uma elevada estabilidade dimensional, tornando-os particularmente adequados para a construção pré-fabricada e para sistemas estruturais de grande dimensão.  [1]

A madeira lamelada colada (glulam) é amplamente utilizada em vigas, pilares, grandes vãos e estruturas de geometria complexa. Combina uma elevada resistência com um peso relativamente reduzido, permitindo aos engenheiros vencer maiores vãos sem comprometer a eficiência do sistema estrutural.  [2]

O LVL é frequentemente utilizado quando são necessários componentes estruturais leves, com elevada resistência e estabilidade dimensional. É adequado para vigas, pilares, painéis e diversas outras aplicações estruturais. [3]

Cada produto de madeira de engenharia apresenta características e vantagens específicas. O CLT, a madeira lamelada colada e o LVL são cada vez mais utilizados em conjunto e, frequentemente, combinados com aço ou betão para criar sistemas estruturais mais eficientes e ajustados aos requisitos técnicos e de desempenho de cada projeto.

Para os engenheiros, o desafio já não passa apenas por conhecer cada um destes produtos, mas por compreender como diferentes materiais e sistemas estruturais podem trabalhar em conjunto para responder às exigências de cada projeto.

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Finansparken Bjergsted, Degree of Freedom, Construsoft BIM Awards 2020

 

2. Os sistemas híbridos de madeira estão a tornar-se mais comuns

 

Muitos dos projetos de construção em madeira mais bem-sucedidos da atualidade recorrem a sistemas híbridos.

Em vez de substituir todos os materiais por madeira, as equipas de projeto utilizam-na onde esta acrescenta mais valor, combinando-a com betão, aço ou outros materiais sempre que estes respondem melhor aos requisitos estruturais, de segurança contra incêndio, acústicos ou construtivos.

Esta abordagem proporciona maior flexibilidade aos engenheiros. Um edifício pode combinar pavimentos em CLT, vigas e pilares em madeira lamelada colada, um núcleo de betão, ligações em aço e outros elementos estruturais, dando origem a uma solução adaptada às exigências específicas de cada projeto.

Em toda a Europa, vários projetos demonstram a eficácia desta abordagem. O Roots Hamburg, por exemplo, combina produtos de madeira de engenharia com outros sistemas estruturais num dos edifícios em madeira mais altos da Alemanha, demonstrando como as soluções híbridas podem viabilizar empreendimentos urbanos de grande escala. [4]

Os projetos distinguidos nos Construsoft BIM Awards refletem esta mesma tendência. Em vez de dependerem de um único material, muitos combinam CLT, madeira lamelada colada, aço e betão para alcançar o equilíbrio ideal entre desempenho estrutural, construtibilidade e intenção arquitetónica.

O Markthal Apeldoorn, projeto vencedor dos Construsoft BIM Awards, demonstra como os produtos de madeira de engenharia podem integrar um sistema estrutural mais abrangente. Neste projeto, a madeira é combinada com o aço, permitindo que cada material seja utilizado onde oferece maior valor.

Para os decisores, a mensagem é simples: adotar a madeira não tem de ser uma decisão de tudo ou nada. Em muitos casos, a solução mais eficaz passa por combinar diferentes materiais, tirando partido das vantagens específicas de cada um.

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Markthal Apeldoorn, Teken- en Adviesburo Gerard van Meerveld, Construsoft BIM Awards 2024

 

3. A produção fora do local exige decisões mais cedo

A madeira adapta-se naturalmente à construção fora do local.

Painéis, vigas, pilares, sistemas de pavimento e componentes modulares podem ser fabricados em ambientes industriais controlados antes de chegarem à obra. Esta abordagem melhora o controlo de qualidade, reduz o desperdício e encurta os tempos de montagem, contribuindo para um processo construtivo mais previsível e eficiente.

Estas vantagens explicam o crescente interesse pela construção fora do local em toda a Europa. Estudos da Comissão Europeia destacam benefícios como a redução do desperdício de materiais, a melhoria das condições de trabalho e uma execução mais consistente dos projetos, embora reconheçam que ainda existe um elevado potencial de adoção. [6]

No entanto, nos projetos em madeira, a produção fora do local altera mais do que o processo construtivo — altera também o momento em que as decisões têm de ser tomadas.

Aberturas, ligações, condicionantes de transporte, pontos de elevação, sequências de montagem, proteção contra incêndio, soluções acústicas e coordenação das instalações MEP têm de estar definidas antes do início do fabrico. Depois de iniciada a produção, qualquer alteração ao projeto torna-se mais complexa, mais dispendiosa e mais difícil de implementar.

Para as equipas habituadas a introduzir alterações em obra, esta é, frequentemente, a maior mudança. Num projeto de construção em madeira pré-fabricada, os problemas são evitados numa fase mais precoce através de um planeamento mais rigoroso e de uma coordenação mais eficaz.

O resultado é um projeto mais previsível. A condição é antecipar melhores decisões, no momento certo.

 

 

4. A contabilização do carbono está a influenciar a escolha dos materiais

A sustentabilidade influencia a construção em madeira há muitos anos. Atualmente, espera-se que as equipas de projeto sustentem as suas ambições ambientais com dados mensuráveis e relatórios consistentes.

Em toda a Europa, a avaliação das emissões de carbono ao longo do ciclo de vida está a tornar-se uma prática corrente no setor da construção. As equipas são cada vez mais chamadas a calcular, comunicar e comparar o impacto ambiental dos edifícios com base em metodologias reconhecidas, em vez de se limitarem a afirmações genéricas sobre sustentabilidade.

Esta evolução reflete-se também na regulamentação. Ao abrigo da revisão da Diretiva relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), o Potencial de Aquecimento Global (GWP) ao longo do ciclo de vida terá de ser calculado e divulgado para os novos edifícios com mais de 1 000 m² a partir de 2028 e para todos os novos edifícios a partir de 2030. [7]

Para a construção em madeira, esta é uma evolução significativa. A madeira proveniente de fontes responsáveis pode contribuir para edifícios com menores emissões de carbono, mas a escolha dos materiais é apenas uma parte da equação. O transporte, os dados dos produtos, os sistemas estruturais híbridos, a durabilidade, a manutenção e os pressupostos relativos ao fim de vida influenciam igualmente o desempenho global do edifício em termos de carbono.

O setor está também a evoluir para métodos de avaliação mais consistentes. Normas como a RICS Whole Life Carbon Assessment proporcionam um enquadramento comum para medir e comunicar as emissões dos edifícios ao longo de todo o seu ciclo de vida. . [8]

Para as equipas de projeto, a sustentabilidade está a tornar-se parte integrante das decisões do dia a dia. O desempenho em termos de carbono é cada vez mais medido, comparado e documentado ao longo de todo o ciclo de vida do edifício. Tomar melhores decisões depende de dados fiáveis.

BIM Coordinator timber

 

5. Os fluxos de trabalho digitais estão a tornar-se essenciais na execução de projetos em madeira

À medida que a construção em madeira se torna mais industrializada e assente em soluções de engenharia, a qualidade da informação do projeto passa a ter um impacto direto no fabrico e na execução da obra.

Um projeto de construção em madeira depende de muito mais do que um modelo 3D. Cada elemento contém informação que deve manter-se rigorosa, consistente e coordenada ao longo de todo o projeto, incluindo geometria, aberturas, ligações, tolerâncias, quantidades, dados de fabrico, sequências de montagem e estado de aprovação. Quando essa informação está incompleta ou é inconsistente, os problemas surgem frequentemente apenas numa fase posterior — durante o fabrico ou em obra —, onde a sua resolução é mais complexa e dispendiosa.

É por isso que os fluxos de trabalho digitais se tornaram cada vez mais importantes. Permitem às equipas coordenar a informação numa fase mais precoce, reduzir ambiguidades entre especialidades e facilitar a transição entre o projeto, o fabrico e a montagem.

O setor da construção continua a aumentar a sua maturidade digital, embora os progressos permaneçam desiguais. Estudos recentes apontam para uma adoção crescente de ferramentas digitais, mas também para desafios persistentes em áreas como a gestão da informação, a integração dos fluxos de trabalho e a avaliação das emissões de carbono ao longo de todo o ciclo de vida. [9]

 As normas abertas também desempenham um papel fundamental. O IFC permite trocar informação sobre edifícios entre diferentes plataformas de software, de forma aberta e independente do fornecedor, ajudando arquitetos, engenheiros, fabricantes e empreiteiros a trabalhar com dados de projeto mais consistentes.  [10]

À medida que a construção em madeira se torna mais industrializada, os fluxos de trabalho digitais deixam de servir apenas para criar modelos melhores. Tornam-se uma ferramenta essencial para executar projetos com maior qualidade, ligando o projeto, o fabrico e a construção através de informação fiável.

 

 

O que significam estas tendências para as equipas de construção

Em conjunto, estas tendências demonstram que a construção em madeira está a evoluir de uma forma que vai muito além do próprio material.

Os produtos de madeira de engenharia estão a ampliar as possibilidades de projeto. Os sistemas híbridos proporcionam maior flexibilidade às equipas. A produção fora do local exige que as decisões sejam tomadas mais cedo, enquanto a contabilização do carbono e os fluxos de trabalho digitais tornam os projetos mais orientados por dados e mais previsíveis. Em conjunto, estas transformações estão a redefinir a forma como os projetos de construção em madeira são concebidos, coordenados e executados.

Para os engenheiros de estruturas, isto significa compreender como os diferentes produtos de madeira, os sistemas híbridos e os requisitos de fabrico se integram numa solução estrutural coordenada.

Para os gestores BIM e responsáveis técnicos, o foco passa a estar na qualidade da informação. Modelos fiáveis, dados consistentes e coordenados, bem como processos de validação e disponibilização claramente definidos, tornam-se essenciais quando a informação do projeto é utilizada diretamente no fabrico e na montagem.

Para os decisores, a construção em madeira representa muito mais do que uma escolha de materiais: é uma capacidade organizacional. A execução bem-sucedida destes projetos depende da existência dos conhecimentos, dos parceiros, dos fluxos de trabalho e dos processos digitais adequados — e não apenas da escolha do sistema estrutural mais adequado.

Compreender estas tendências é um primeiro passo importante. A sua aplicação bem-sucedida exige conhecimento, colaboração e fluxos de trabalho eficazes ao longo de todo o ciclo de vida do projeto.

 


Continue a explorar a construção em madeira

Compreender estas tendências é apenas o primeiro passo.

Transformá-las em projetos bem-sucedidos exige fluxos de trabalho digitais adequados, informação coordenada e uma colaboração eficaz entre todos os intervenientes no projeto.

Se a sua organização está a explorar a construção em madeira, a Construsoft pode ajudá-lo a compreender de que forma o Tekla Structures apoia o projeto, a análise estrutural, o fabrico e a execução.

 

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Fontes e leituras adicionais 

[1] Stora Enso — Cross-laminated timber, CLT.
Used to explain CLT as an engineered timber product suitable for large wall, floor, and roof elements in mass timber construction.
URL:
https://www.storaenso.com/en/products/mass-timber-construction/building-products/clt

[2] Swedish Wood — The Glulam Handbook.
Used to explain glulam’s structural role, including its high strength in relation to weight and ability to span large distances.
URL: https://www.swedishwood.com/siteassets/5-publikationer/pdfer/glulamhandbook1-240508.pdf

[3] Stora Enso — Laminated veneer lumber, LVL.
Used to explain LVL as an engineered wood product suitable for beams, columns, panels, and structural applications.
URL: https://www.storaenso.com/en/products/mass-timber-construction/building-products/lvl

[4] Rubner — ROOTS, Hamburg.
Used as a European project example showing hybrid timber construction in a dense urban context and Germany’s tallest wooden high-rise to date.
URL: https://www.rubner.com/en/references/timber-construction/roots/

[5] HASSLACHER Group — HoHo Vienna.
Used as a European timber-hybrid reference, including the project’s height, number of floors, gross floor area, and use of glulam and CLT elements.
URL: https://www.hasslacher.com/hoho-vienna-en

[6] European Commission — Offsite construction.
Used to explain the benefits and current adoption challenges of off-site construction in Europe, including waste reduction and safer working conditions.
URL: https://commission.europa.eu/topics/competitiveness/competitiveness-coordination-tool-projects/offsite-construction_en

[7] European Commission — Global warming potential of buildings.
Used for the revised Energy Performance of Buildings Directive context, including life-cycle Global Warming Potential disclosure requirements from 2028 and 2030.
URL: https://energy.ec.europa.eu/topics/energy-efficiency/energy-performance-buildings/energy-performance-buildings-directive/global-warming-potential-buildings_en

[8] RICS — Whole Life Carbon Assessment, second edition.
Used to support the point that whole-life carbon assessment is becoming a more standardised and important part of built environment decision-making.
URL: https://www.rics.org/news-insights/wlca-standard-2nd-edition-now-in-full-effect

[9] RICS — Digitalisation in Construction Report 2024.
Used to support the point that digital adoption in construction is still mixed, with gaps in areas such as whole-life carbon assessment.
URL: https://www.rics.org/news-insights/digitalisation-in-construction-report

[10] buildingSMART International — Industry Foundation Classes, IFC.
Used to explain IFC as a vendor-neutral standard that supports machine-interpretable information and workflow automation.
URL: https://www.buildingsmart.org/standards/bsi-standards/industry-foundation-classes/