Explore cinco tendências da construção em madeira que estão a influenciar a forma como os edifícios são projetados, calculados, fabricados e executados — dos sistemas híbridos, à produção fora do local até aos fluxos de trabalho digitais.
A madeira está a despertar mais interesse do que nunca. Novos projetos, novas regulamentações e metas de sustentabilidade cada vez mais ambiciosas estão a colocar a madeira de engenharia no centro das atenções em todo o setor da construção.
No entanto, as maiores mudanças não acontecem porque a madeira está a substituir outros materiais. Acontecem porque está a transformar a forma como os projetos são concebidos, coordenados, fabricados e executados. Esta evolução está intimamente ligada a prioridades mais amplas do setor, como a construção de baixo carbono, o fabrico fora do local, os sistemas estruturais híbridos, a tomada de decisões em fases mais precoces dos projetos e uma melhor utilização da informação digital.
Para muitas organizações, a madeira deixou de ser apenas um material de construção e passou a representar uma transição para uma construção mais industrializada, com maior previsibilidade e uma execução de projetos mais integrada.
Compreender estas tendências ajuda a perceber por que razão a madeira está a assumir um papel cada vez mais relevante numa transformação mais ampla do setor da construção.
A madeira adapta-se naturalmente à construção fora do local.
Painéis, vigas, pilares, sistemas de pavimento e componentes modulares podem ser fabricados em ambientes industriais controlados antes de chegarem à obra. Esta abordagem melhora o controlo de qualidade, reduz o desperdício e encurta os tempos de montagem, contribuindo para um processo construtivo mais previsível e eficiente.
Estas vantagens explicam o crescente interesse pela construção fora do local em toda a Europa. Estudos da Comissão Europeia destacam benefícios como a redução do desperdício de materiais, a melhoria das condições de trabalho e uma execução mais consistente dos projetos, embora reconheçam que ainda existe um elevado potencial de adoção. [6]
No entanto, nos projetos em madeira, a produção fora do local altera mais do que o processo construtivo — altera também o momento em que as decisões têm de ser tomadas.
Aberturas, ligações, condicionantes de transporte, pontos de elevação, sequências de montagem, proteção contra incêndio, soluções acústicas e coordenação das instalações MEP têm de estar definidas antes do início do fabrico. Depois de iniciada a produção, qualquer alteração ao projeto torna-se mais complexa, mais dispendiosa e mais difícil de implementar.
Para as equipas habituadas a introduzir alterações em obra, esta é, frequentemente, a maior mudança. Num projeto de construção em madeira pré-fabricada, os problemas são evitados numa fase mais precoce através de um planeamento mais rigoroso e de uma coordenação mais eficaz.
O resultado é um projeto mais previsível. A condição é antecipar melhores decisões, no momento certo.
À medida que a construção em madeira se torna mais industrializada e assente em soluções de engenharia, a qualidade da informação do projeto passa a ter um impacto direto no fabrico e na execução da obra.
Um projeto de construção em madeira depende de muito mais do que um modelo 3D. Cada elemento contém informação que deve manter-se rigorosa, consistente e coordenada ao longo de todo o projeto, incluindo geometria, aberturas, ligações, tolerâncias, quantidades, dados de fabrico, sequências de montagem e estado de aprovação. Quando essa informação está incompleta ou é inconsistente, os problemas surgem frequentemente apenas numa fase posterior — durante o fabrico ou em obra —, onde a sua resolução é mais complexa e dispendiosa.
É por isso que os fluxos de trabalho digitais se tornaram cada vez mais importantes. Permitem às equipas coordenar a informação numa fase mais precoce, reduzir ambiguidades entre especialidades e facilitar a transição entre o projeto, o fabrico e a montagem.
O setor da construção continua a aumentar a sua maturidade digital, embora os progressos permaneçam desiguais. Estudos recentes apontam para uma adoção crescente de ferramentas digitais, mas também para desafios persistentes em áreas como a gestão da informação, a integração dos fluxos de trabalho e a avaliação das emissões de carbono ao longo de todo o ciclo de vida. [9]
As normas abertas também desempenham um papel fundamental. O IFC permite trocar informação sobre edifícios entre diferentes plataformas de software, de forma aberta e independente do fornecedor, ajudando arquitetos, engenheiros, fabricantes e empreiteiros a trabalhar com dados de projeto mais consistentes. [10]
À medida que a construção em madeira se torna mais industrializada, os fluxos de trabalho digitais deixam de servir apenas para criar modelos melhores. Tornam-se uma ferramenta essencial para executar projetos com maior qualidade, ligando o projeto, o fabrico e a construção através de informação fiável.
Em conjunto, estas tendências demonstram que a construção em madeira está a evoluir de uma forma que vai muito além do próprio material.
Os produtos de madeira de engenharia estão a ampliar as possibilidades de projeto. Os sistemas híbridos proporcionam maior flexibilidade às equipas. A produção fora do local exige que as decisões sejam tomadas mais cedo, enquanto a contabilização do carbono e os fluxos de trabalho digitais tornam os projetos mais orientados por dados e mais previsíveis. Em conjunto, estas transformações estão a redefinir a forma como os projetos de construção em madeira são concebidos, coordenados e executados.
Para os engenheiros de estruturas, isto significa compreender como os diferentes produtos de madeira, os sistemas híbridos e os requisitos de fabrico se integram numa solução estrutural coordenada.
Para os gestores BIM e responsáveis técnicos, o foco passa a estar na qualidade da informação. Modelos fiáveis, dados consistentes e coordenados, bem como processos de validação e disponibilização claramente definidos, tornam-se essenciais quando a informação do projeto é utilizada diretamente no fabrico e na montagem.
Para os decisores, a construção em madeira representa muito mais do que uma escolha de materiais: é uma capacidade organizacional. A execução bem-sucedida destes projetos depende da existência dos conhecimentos, dos parceiros, dos fluxos de trabalho e dos processos digitais adequados — e não apenas da escolha do sistema estrutural mais adequado.
Compreender estas tendências é um primeiro passo importante. A sua aplicação bem-sucedida exige conhecimento, colaboração e fluxos de trabalho eficazes ao longo de todo o ciclo de vida do projeto.
Compreender estas tendências é apenas o primeiro passo.
Transformá-las em projetos bem-sucedidos exige fluxos de trabalho digitais adequados, informação coordenada e uma colaboração eficaz entre todos os intervenientes no projeto.
Se a sua organização está a explorar a construção em madeira, a Construsoft pode ajudá-lo a compreender de que forma o Tekla Structures apoia o projeto, a análise estrutural, o fabrico e a execução.
Fontes e leituras adicionais
[1] Stora Enso — Cross-laminated timber, CLT.
Used to explain CLT as an engineered timber product suitable for large wall, floor, and roof elements in mass timber construction.
URL: https://www.storaenso.com/en/products/mass-timber-construction/building-products/clt
[2] Swedish Wood — The Glulam Handbook.
Used to explain glulam’s structural role, including its high strength in relation to weight and ability to span large distances.
URL: https://www.swedishwood.com/siteassets/5-publikationer/pdfer/glulamhandbook1-240508.pdf
[3] Stora Enso — Laminated veneer lumber, LVL.
Used to explain LVL as an engineered wood product suitable for beams, columns, panels, and structural applications.
URL: https://www.storaenso.com/en/products/mass-timber-construction/building-products/lvl
[4] Rubner — ROOTS, Hamburg.
Used as a European project example showing hybrid timber construction in a dense urban context and Germany’s tallest wooden high-rise to date.
URL: https://www.rubner.com/en/references/timber-construction/roots/
[5] HASSLACHER Group — HoHo Vienna.
Used as a European timber-hybrid reference, including the project’s height, number of floors, gross floor area, and use of glulam and CLT elements.
URL: https://www.hasslacher.com/hoho-vienna-en
[6] European Commission — Offsite construction.
Used to explain the benefits and current adoption challenges of off-site construction in Europe, including waste reduction and safer working conditions.
URL: https://commission.europa.eu/topics/competitiveness/competitiveness-coordination-tool-projects/offsite-construction_en
[7] European Commission — Global warming potential of buildings.
Used for the revised Energy Performance of Buildings Directive context, including life-cycle Global Warming Potential disclosure requirements from 2028 and 2030.
URL: https://energy.ec.europa.eu/topics/energy-efficiency/energy-performance-buildings/energy-performance-buildings-directive/global-warming-potential-buildings_en
[8] RICS — Whole Life Carbon Assessment, second edition.
Used to support the point that whole-life carbon assessment is becoming a more standardised and important part of built environment decision-making.
URL: https://www.rics.org/news-insights/wlca-standard-2nd-edition-now-in-full-effect
[9] RICS — Digitalisation in Construction Report 2024.
Used to support the point that digital adoption in construction is still mixed, with gaps in areas such as whole-life carbon assessment.
URL: https://www.rics.org/news-insights/digitalisation-in-construction-report
[10] buildingSMART International — Industry Foundation Classes, IFC.
Used to explain IFC as a vendor-neutral standard that supports machine-interpretable information and workflow automation.
URL: https://www.buildingsmart.org/standards/bsi-standards/industry-foundation-classes/